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Spam nos Blogs!!! Época

INTERNET

O lixo chegou aos blogs

A
praga das mensagens indesejadas da internet invadiu os diários
virtuais. Ninguém mais agüenta tanto spam. E ele não pára de crescer

EDUARDO VIEIRA

A palavra spam é uma abreviação da expressão em inglês spiced ham,
ou presunto apimentado. Originalmente, era apenas uma marca de presunto
enlatado fabricado pela empresa americana Hormel Foods desde os anos
30. Quase meio século depois, virou gozação numa das comédias do grupo
inglês Monty Python. Num programa de TV, um grupo de vikings, reunidos
numa taberna, pede insistentemente: “Spam, Spam, Spam!”. Depois, chovem
latas de presunto enlatado. Algo semelhante acontece na internet. Os
spams são aquelas mensagens eletrônicas com propaganda, correntes e – o
pior de tudo – fraudes que não param de chegar ao e-mail. E infernizam
a vida de todo mundo.

O spam já supera há muito tempo as mensagens enviadas por amigos,
pela família, por colegas de trabalho ou da escola. Os e-mails
indesejados, que entopem a caixa postal à revelia dos internautas,
representam 70% de todo o tráfego de correio eletrônico do mundo – o
equivalente a 100 bilhões de mensagens por mês. O mais novo alvo dos
“spammers”, como são chamadas as pessoas que enviam mensagens em massa
sem pedir permissão a ninguém, agora são os blogs, os diários pessoais
mantidos na internet. O novo fenômeno é conhecido como “spam blogs”, ou
simplesmente splogs. São blogs falsos, criados para servir como vitrine
de propaganda para temas populares, como striptease ou pôquer on-line.

Recheados das palavras mais procuradas nos sistemas de busca, os
splogs têm como objetivo atrair audiência. Eles têm em geral um
amontoado de frases desconexas. De trechos de livros como Dom Casmurro,
de Machado de Assis, a parágrafos inteiros de pornografia. O conteúdo
caótico é proposital. Quanto mais frases populares o splog tiver, mais
chances ele tem de ocupar os primeiros lugares nos resultados dos sites
de busca – um local nobre na web, reservado aos endereços mais
visitados. E, quando alguém clica num link de propaganda de um splog,
seu dono, chamado splogger, ganha alguns centavos dos anunciantes com o
tráfego gerado.

 

LATA DA DISCÓRDIA
O spam original é um enlatado inofensivo, vendido até hoje

De acordo com o site Technorati, que cataloga e faz buscas em blogs
no mundo inteiro, são criados 75 mil blogs por dia. Cerca de 8% deles,
ou 6 mil, são falsos. O Technorati estima que haja 50 mil splogs no
mundo. “Depois de anos lutando contra o spam nos e-mails, agora o
internauta terá os splogs para combater”, afirmou Tim O’Reilly,
fundador da editora americana O’Reilly Media, em seu blog. “À medida
que os diários virtuais se tornam campeões de audiência, ficam mais
sujeitos às fraudes virtuais.”

Há ainda outra modalidade de spam nos blogs. São os posts falsos.
Nesse caso, os fraudadores usam blogs verdadeiros para publicar
comentários que incluem links com propaganda para outros sites. Quando
o internauta clica nesses links, mais uma vez o fraudador fatura um
trocado. “É uma forma de disfarçar o spam”, afirma O’Reilly. Ainda de
acordo com o Technorati, os internautas escrevem de 700 mil a 1,3
milhão de posts por dia em blogs. Cerca de 50 mil, ou 5,8%, são spams.

Há cerca de um mês, os splogs se tornaram uma epidemia nos Estados
Unidos. Num ataque coordenado em um fim de semana, centenas de
fraudadores entraram no site de blogs do Google, o Blogger. com, e
criaram 13 mil blogs falsos em menos de 24 horas. “Senhoras e senhores
da blogosfera, temos uma emergência”, afirmou Tim Bray, diretor de
internet da Sun Microsystems, em seu blog pessoal. “Não há como deter
os sploggers.”

Para as empresas, não se trata apenas de um incômodo. O instituto de
pesquisas Ferris Research calcula que as companhias americanas gastaram
US$ 25 bilhões no ano passado para combater o spam. Fazer isso pela via
tecnológica tem se mostrado uma estratégia ineficaz. Quando o problema
do spam começou a ficar evidente, no início da década (leia o quadro),
a primeira idéia foi criar listas com os endereços na internet de onde
partiriam as mensagens não-solicitadas e vetar o recebimento de
mensagens de quem estivesse nessas relações. Mas logo essa técnica se
revelou problemática, pois pessoas inocentes eram cadastradas
indevidamente. Tentou-se, então, bloquear os nomes de autores com
reputação negativa no uso s do e-mail. Os fraudadores reagiram e
passaram a criar nomes fictícios.

O passo seguinte foi criar filtros contra o spam, programas que
barram e-mails com palavras suspeitas. Não demorou para surgir
mensagens com essas mesmas palavras escritas com a grafia modificada.
“Quando a indústria lança uma ferramenta, ela funciona bem”, disse a
ÉPOCA John Thompson, presidente mundial da Symantec, empresa
especializada em softwares de segurança. “Mas logo os spammers dão um
‘jeitinho’ para driblar as defesas. E temos de correr atrás. O cenário
muda completamente todo ano.”

A via legal contra o spam tem se mostrado igualmente tortuosa. No
discurso, os advogados parecem saber o que fazer. “A internet não pode
ser uma terra sem lei”, afirma a advogada Patrícia Peck, especializada
em Direito Digital. “Blogs podem ser gratuitos, mas isso não significa
que ninguém tenha responsabilidade legal sobre eles.” Na prática,
impera a impunidade. “Os internautas respondem aos mesmos crimes
previstos nos códigos Civil e Penal. Falta um código específico para a
internet”, diz Patrícia. “Não há lei que enquadre os spammers. Eles não
podem ser punidos simplesmente porque mandaram e-mails.”

Há quem se pergunte se o correio eletrônico, a tecnologia mais
utilizada da internet, seguirá relevante diante de tantas ameaças. “A
tecnologia para barrar o spam é ineficaz”, afirma Esther Dyson, guru
tecnológica e colunista do jornal The New York Times. “E não há solução
à vista para o problema. Estamos perdendo a guerra contra o lixo
eletrônico.”

VÍTIMA DA INTERNET
O
prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (acima), acusa fraudadores de
invadir seu blog. Eles teriam falsificado mensagens para difamar os
adversários de Maia. O autor da fraude virtual permanece anônimo – e
impune m

A face mais cruel dessa derrota nem são os e-mails com aquelas
propagandas fáceis de identificar. O problema mais difícil ocorre
quando o e-mail ou blog é usado para difamar alguém. Em abril,
começaram a circular pela rede e-mails com links para uma série de
fotos em que uma estudante paulista de 20 anos aparecia fazendo sexo
com dois homens. Ela foi publicamente identificada e teve de sair da
faculdade em que estudava sob proteção policial, para não ser atacada.

Outro caso atingiu o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. De
acordo com ele, invasores clonaram sua página na internet e enviaram
mensagens em seu nome. Entre os e-mails supostamente fraudados, havia
correspondências em que Maia discutiria como prejudicar adversários. O
autor da suposta fraude, segundo Maia, permanece anônimo.

Há como combater isso? “Os spammers podem ser condenados por
fraude”, diz a advogada Patrícia Peck. “O problema é encontrá-los no
meio da rede.” Uma das características mais sedutoras da internet – a
promessa de anonimato – também é sua principal limitação. Os sistemas
de combate ao spam que têm demonstrado maior sucesso são aqueles em que
o computador do remetente é identificado na hora de enviar mensagens.
Outra opção é instaurar tarifas para o envio de e-mails, como as
cobradas pelo correio, numa espécie de selo digital. O software de
correio eletrônico poderia, em princípio, ser programado para só
aceitar aquelas mensagens seladas digitalmente.

“Talvez, no futuro, quem quiser ter alguma garantia de qualidade no
e-mail terá de pagar”, disse Eric Schmidt, presidente do Google, num
discurso recente. Em janeiro de 2004, no Fórum Econômico Mundial, em
Davos, na Suíça, Bill Gates dissera que a imposição de tarifas para o
envio de e-mails poderia resolver o problema. A medida é polêmica. Em
1999, a operadora americana MCI tentou cobrar US$ 1 dos internautas por
mensagem enviada. Quase foi vítima de um motim por parte dos clientes.
Mas talvez essa seja uma das poucas – senão a única – alternativas que
restam. “Aposto que muitos pagariam para acabar com a amolação”, diz
Schmidt.

Fotos: Stock Photos, reprodução e Marco Antonio Teixeira/Ag. O Globo

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