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Suscha, a Rainha Rancorosa

Rancorosa, Xuxa ofende
Gramado: 

"Eles tiveram de me
engolir!"

 
Celso Sabadin, enviado especial a Gramado

Foto:
Edison Vara/PressPhoto

Noite de
horror e indignação em Gramado.
Alguma mente desprovida de qualquer senso
cinematográfico decidiu coroar Xuxa Meneghel como a Rainha do Cinema.
É
inclusive a manchete do Diário do Festival, que circula aqui no evento:

Gramado Reverencia sua Rainha.
E, pior: Kikito especial homenageia a
rainha do cinema, da música e da televisão.


No país de Fernanda Montenegro, de
Aneci Rocha, de Laura Cardoso, de Helena Ignez, de Tônia Carreiro, de sei lá…
Hebe Camargo, caramba…
O Festival de Gramado, pateticamente, tenta vender
ao público a mentira que Xuxa é a rainha do cinema.
Tudo por um punhado de
mídia.
Como se vendem barato os organizadores do Festival de Gramado que
decidem quais serão os
homenageados! 

A noite de entrega do tal Kikito especial para Maria da
Graça Meneghel foi um show de breguice deslavada que os 37 anos de Gramado não
mereciam ter visto.
Antes de mais nada, desde o dia anterior, montavam-se
esquemas de segurança para a chegada da "Rainha".

Não pode isso, não pode aquilo, vai
ser assim, vai ser assado, ninguém pode falar com ela, ela não vai responder a
nenhuma pergunta, não pode chegar perto, bla, bla, bla…
Nem Barack Obama,
se a Gramado viesse, mereceria tanta distinção. 

Claro que tudo começou
com atraso.
Xuxa chegou ao chamado Palácio dos Festivais
(cada Rainha
tem o Palácio que merece)
cercada do gigantesco alvoroço dos fãs.

Alvoroço, aliás, que é a finalidade básica dos organizadores do festival ao
convidá-la.
Flashes, corre-corre, gritinhos, aquela coisa toda que o mundo
das celebridades conhece bem.

Ao ser chamada para a homenagem, a Rainha elegantemente desfilou pelos
corredores do Palácio e, a poucos metros do palco, foi gentilmente abordada por
um jovem súdito, aparentando pouco mais de 20 anos, que lhe pediu um beijo.

Xuxa, ainda elegantemente, deu um leve beijo no rosto do rapaz e seguiu rumo
ao palco, sem problema nenhum.
Imediatamente, dois enormes seguranças
imobilizaram o jovem, que levou uma chave de braço, foi rapidamente imobilizado
e truculentamente retirado do local sob os gritos de protestos de alguns poucos
que viram a cena..

Gramado precisava disso?
De um showzinho
particular de truculência e ignorância?

Já no palco, Xuxa recebeu
seu troféu das mãos da atriz mirim Ana Júlia, foi ovacionada por parte da
plateia, e dirigiu-se ao microfone onde desferiu a primeira bobagem:
"Eu sou
povo", ela disse.
Bom, eu não conheço ninguém do povo que ostente seguranças

truculentos para dar chaves de braço nas pessoas.
Em seguida, num
discurso rancoroso e até agressivo, Xuxa afirmou que nunca imaginou receber uma
homenagem como aquela.
"Nem eu", pensei, calado.
E foi além: disse que jamais poderia pensar que o Festival de
Gramado fosse capaz de superar os preconceitos e premiar uma
pessoa do povo e suburbana como ela.
Ou seja, chamou abertamente o
Festival de preconceituoso.
Como se, em edições anteriores, o evento só
tivesse
premiado magnatas e intelectuais.

Gramado precisava disso?

De uma ofensa gratuita vinda de um homenageado? 

 A Rainha
terminou sua fala dizendo:
"Eu não me arrependo de nada.
Eu não tenho
vergonha de ser povo, de ser loira e vencedora".
Ao que parte da plateia
completou: "…E gaúcha!".
De onde a loira tirou esta frase?
Que 
nonsense foi este?
Se eu não estivesse presente, não teria acreditado.

Porém, o pior estava por vir:
Ao descer do palco e voltar para os
corredores do Palácio, Xuxa

percebeu a presença do jornalista Luiz Carlos Merten, que por
sinal estava sentado praticamente ao meu lado.
Deu-lhe um amplo
sorriso, abraçou o jornalista e sussurrou ao ouvido dele:
"Eles tiveram de me
engolir".
Fiquei pasmo. Eles quem?
Os organizadores de Gramado?
Os
críticos de cinema? O povo?
Teria o espírito de Mário Jorge Lobo Zagallo
incorporado
provisoriamente na Rainha?

E, depois, se ela diz não se arrepender
de nada, por que sua filmografia "oficial", publicada pelo Catálogo também
oficial do Festival de Gramado, omite seus longas  Fuscão Preto, Gaúcho Negro
e Amor Estranho Amor?
Os dois primeiros seriam bregas demais para a
realeza?
E o polêmico Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury?
Algo
contra a nudez da rainha?
A rainha está nua?!

Segundo informações
do Jornal de Gramado, além de todas estas barbaridades
(para usar um termo
bem gaúcho),
Xuxa ainda teria cobrado um cachê de R$ 60 mil para aceitar ser
homenageada.

Sinceramente, Gramado precisava de tudo isso?


Num momento de lucidez e equilíbrio, o ator José Vitor Castiel,
apresentador

do evento ao lado de Renata Boldrin, anunciou o próximo filme
concorrente e conclamou a todos:
"Vamos voltar ao Cinema".
Perfeito!
Xuxa, com seus filmes de péssima categoria, conteúdo
risível, produção tosca e nenhum objetivo cinematográfico, além
do  merchandising e da bilheteria, pode representar qualquer coisa.
Menos o cinema.
Se o Festival de Gramado é um templo do cinema
brasileiro, este
foi profanado na noite de ontem. 

E, Xuxa, rainha do cinema?

se for a Rainha Má da Branca de Neve.


Fonte:

http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/rancorosa-xuxa-ofende-gramado-eles-tiveram-de-me-engolir/id/23752

      
RAY PINHEIRO
Brasília-DF-BRASÍL

Categorias:Reflexões
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