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Já era fato!

NTERNET E ELEIÇÕES
Só não vê quem não quer


Por Venício A. de Lima em 6/10/2009

Nas
eleições presidenciais brasileiras de 2006 parece ter havido consenso
em relação à importância da internet nas muitas avaliações sobre o
papel da mídia. O ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da
Informação (INTI), professor Sérgio Amadeu, por exemplo, afirmou:

"O que ocorreu, em 2006, na relação entre internet e a política
eleitoral? Os partidos políticos, boa parcela dos formadores de opinião
e os cidadãos politicamente ativos e conectados criaram uma série de
redes de disseminação de mensagens políticas por diversos meios
virtualizados, principalmente sites de relacionamento, blogs,
videoblogs e listas de discussão. Estas redes articularam simpatizantes
e foram um meio extremamente veloz de respostas à mídia de massas e de
disseminação de versões que logo migravam para o cotidiano presencial.
Intensos debates foram travados nos sites de relacionamento e milhares
de listas de discussão foram politizadas no cenário de 2006, pois
repercutiam os embates trazidos de outros pólos do ciberespaço" (in
Venício A. de Lima, org. A mídia nas eleições de 2006; Ed. Fund. Perseu Abramo; 2007; p. 179).

Depois de 2006, veio o processo eleitoral nos Estados Unidos que
culminou com a eleição do primeiro presidente negro de sua história.
Barack Obama se utilizou largamente da internet, não só para
arrecadação de fundos, mas também para a organização de voluntários e a
mobilização de novos eleitores, sobretudo jovens. Sua campanha passou a
ser vista como uma espécie de turning point em relação à
utilização da web na política, inclusive no Brasil, independente das
peculiaridades do sistema eleitoral americano e, claro, das imensas
diferenças entre as nossas sociedades.

DataSenado e Vox Populi

Um ano antes das eleições presidenciais de 2010, duas pesquisas
confirmam enfaticamente o crescimento indiscutível do papel e da
importância da internet no processo eleitoral brasileiro.

O DataSenado divulgou, dia 2/10, uma pesquisa nacional que ouviu em
setembro, por telefone, 1.088 eleitores, distribuídos pelas 27
capitais, com margem de erro de 3% para mais e para menos (ver aqui o relatório completo).

Os resultados (ver quadro abaixo) revelam que a internet (19%) já é
o segundo meio de comunicação mais usado pelo eleitor brasileiro para
informar-se sobre política, atrás apenas da TV (67%). Jornais e
revistas aparecem em terceiro lugar, com 11% e o rádio é preferido por
apenas 4% dos entrevistados. Além disso, quase metade dos eleitores
(46%) acredita que a principal vantagem da internet nas eleições será a
troca de informações e idéias. A possibilidade de facilitar a
comunicação entre candidatos e eleitores aparece em segundo lugar, com
28%. Os entrevistados que disseram usar a internet diariamente somaram
58%; 78% acessam sites de notícias e 53% participam de alguma rede
social, como Orkut ou Twitter.

A Vox Populi, por outro lado, por intermédio de seu presidente
Marcos Coimbra, divulga em artigo publicado em dia 4/10 os resultados
de pesquisa – também realizada em setembro – nas oito maiores regiões
metropolitanas e no Distrito Federal, mostrando que a proporção de
eleitores que usam a internet para se informar sobre política já chega
a 36% (ver aqui). Informa Coimbra:

"Quase dois terços dessas pessoas se informam exclusivamente em
sites de notícias e blogs jornalísticos, enquanto que 7% utilizam
somente as redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter com essa
finalidade. Os 29% restantes combinam as duas possibilidades. São
eleitores que acessam a rede com muita intensidade: cerca de 70% dos
que procuram nela essas informações dizem que navegam `todo dia ou
quase todo dia´ com esse intuito."

Lições para todos nós

O que os dados mostram – e isso não constitui mais qualquer surpresa
– é uma nova realidade da mídia no país. O presidente da Vox Populi
comenta:

"Como essas proporções [daqueles que se informam pela internet]
só sobem ano a ano, é fácil perceber quão diferente vai ficando nossa
sociedade política com o passar do tempo. A cada eleição, a internet
aumenta de importância, como vimos já em 2008 nas eleições de muitas
capitais, onde foi um elemento decisivo do processo de ascensão e queda
de diversos candidatos. Em 2010, todo mundo espera que seja ainda mais
relevante."

A grande mídia tradicional, por óbvio, continua relevante, mas não
tem mais nem de longe a importância na formação da opinião pública que
a ela se atribuiu em passado recente. Nos processos eleitorais,
sobretudo, essa importância deve ser totalmente reavaliada. Se
compararmos a sociedade brasileira que fez "a primeira eleição
presidencial moderna em 1989" com a sociedade em que vivemos hoje, não
há como ignorar a imensidão das mudanças ocorridas nas duas últimas
décadas. Só não vê quem não quer.

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Categorias:Pense Direito
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