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Não São Deuses

 Circo da Notícia- OI

Por Carlos Brickmann em 29/9/2009

A opinião do ombudsman

Carlos Eduardo, em sabatina no auditório da Folha, disse algo
que todos nós conhecemos, mas relutamos em admitir: jornalistas, com
frequência, são arrogantes, prepotentes, adoram criticar, odeiam
receber críticas (ver "`Jornalistas são arrogantes e não querem ser melhorados´" e "Ombudsman defende autorregulação da imprensa"). Há muitos e muitos anos, nos tempos em que Sarney tinha cabelos brancos, este colunista criou na Folha da Tarde,
de São Paulo, uma coluna do leitor em que todas as cartas publicadas
eram respondidas. Deu trabalho encontrar quem a fizesse: quando o
leitor se queixava de que o jornal tinha escrito "caxorro", a tendência
do redator, em vez de concordar que havia um erro, era dizer que o
leitor tinha também cometido erros de português na carta.

Só que o problema era outro: o jornalista é pago para escrever
corretamente, e o leitor, que em última análise paga seu salário, tem
todo o direito de reclamar quando acha que há erro. A função do jornal
certamente não é brigar com ele.

Uma das propostas de Carlos Eduardo é a multiplicação do número de
ouvidores. Um ombudsman em cada meio de comunicação pode ser caro, mas
a nova e crescente consciência crítica compensa. Outra idéia é criar
uma espécie de Conar, o conselho de autorregulamentação da publicidade,
que vem funcionando bem há muitos e muitos anos.

O jornalista Ricardo Kotscho, favorável à autorregulamentação,
defende o Conselho Federal de Jornalismo que o governo quis implantar.
Mas são coisas diferentes: o Conar é apartidário. No jornalismo, seria
preciso tomar cuidado para que a autorregulamentação se mantivesse
longe dos partidos. Não é simples: as matérias não poderiam ser
submetidas a exame crítico por profissionais ligados a partidos, ou
centrais sindicais partidarizadas. Seria preciso garantir que, como no
caso dos publicitários do Conar, os encarregados das análises sejam
profissionais respeitados, de notório saber jornalístico e ilibada
reputação. Como escolhê-los? Este é um bom tema de debates.

E é importante debater logo, como salientou Carlos Eduardo: "Ou os
jornais se autorregulam para melhorar ou eles vão ser regulados por
alguém, e vai ser muito pior para todos". A autorregulação, acredita
ele – e este colunista concorda integralmente – é essencial para a
preservação da liberdade de imprensa.

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Categorias:Reflexões
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