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Gravidez Precoce

19/01/2010 –
14h30

Com alusão a
"Juno", Ipea questiona políticas contra gravidez precoce

Tatiana
Pronin, editora do UOL Ciência e Saúde

As políticas públicas
voltadas para a gravidez na adolescência existentes hoje no país têm pouco
alcance, são limitadas à oferta de anticoncepcionais e ainda possuem um viés
estigmatizador, segundo análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea) divulgada no livro Juventude e Políticas Sociais
no Brasil”,
lançado nesta terça-feira.

Em capítulo batizado de
“Síndrome de Juno: gravidez, juventude e políticas públicas”, em referência ao
filme vencedor do Oscar 2007 de melhor roteiro original, o livro mostra que o
número de mães adolescentes tem caído de forma tímida. Os dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) apontam para redução do percentual de jovens de 15 a 19
anos com filho de 12,6%, em 1996, para 10,7%, em 2007.

Cena do filme "Juno"; o filme, que aborda a gravidez na
adolescência a partir de um enfoque não tradicional, foi usado para batizar
capítulo de livro do Ipea sobre políticas públicas contra gestação
precoce

IPEA CRITICA
DESPREPARO AO LIDAR COM A SAÚDE DO
ADOLESCENTE

UOL CIÊNCIA E
SAÚDE

A prevalência da
gravidez na adolescência na população continua concentrada nas classes com menor
poder aquisitivo: 44,2% das meninas de 15 a 19 anos com filhos pertencem à faixa
de renda familiar per capita de até meio salário mínimo. Isso significa que
quase 18% das jovens do estrato de renda mais baixo no país são
mães.

Ter um filho, para essa
classe social, significa abandonar a escola e ter o futuro profissional
comprometido, como aponta a análise. Das meninas com idade entre 10 e 17 anos
sem filhos, somente 6,1% não estudam. Já entre as que têm filhos, a proporção
chega a 75,7%, sendo que 57,8% não estudam nem trabalham.

Alcance
limitado

Segundo o Ipea, o
projeto mais significativo do Ministério da Saúde em relação a adolescentes é o
Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), de 2003. Contudo, os jovens que têm filhos
em geral já abandonaram o ambiente escolar.

Nas instituições de
saúde, os profissionais não estão preparados para lidar com essa faixa etária,
como mostram estudos divulgados pela pasta e citados pelo Ipea. É comum que os
atendentes tenham dúvidas éticas, e atuem exercendo um papel de controle sobre a
sexualidade, vinculando-a sempre à reprodução, o que afasta o
jovem.

Estigma

A análise também
reitera que é preciso relativizar a noção de que a gravidez na adolescência é
sempre um fenômeno indesejado, negativo e prejudicial. Segundo pesquisas citadas
pelo Ipea, meninas de classes mais baixas muitas vezes buscam no filho a
possibilidade de construir sua identidade e se sentir com mais
poder.

Para muitas
adolescentes, o projeto de vida profissional dá lugar ao de construir uma
família, o que muitas vezes é valorizado entre o grupo de amigas. Além disso, as
meninas acreditam ser capazes de ser mães, uma vez que frequentemente têm de
cuidar de irmãos mais novos.

Contracepção

O livro ressalta o
avanço das políticas públicas que ampliaram a oferta de métodos contraceptivos
para usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), incluindo a distribuição da
pílula do dia seguinte. No entanto, dados de 2006 indicam que somente 36,7% das
meninas entre 15 e 19 anos utilizam algum método.

Como provam as
pesquisas, os jovens conhecem as formas de prevenir a gravidez e sabem onde
conseguir anticoncepcionais, mas não os utilizam os métodos com regularidade. As
razões para isso são complexas e muitas vezes envolvem o receio das meninas de
serem vistas como experientes demais, o que é avaliado negativamente pelos
meninos.

A desigualdade nas
responsabilidades de homens e mulheres em relação a filhos também é outro ponto
abordado. Um exemplo é a tarefa de prevenir a gravidez, sempre atribuída à
mulher. Outro é a ausência do pai na criação do filho, que, associada a mães e
avós sobrecarregadas, constitui um fator de instabilidade para crianças que
também serão pais ou mães um dia. Ignorar questões mais profundas como essas,
segundo o livro, é a grande falha das políticas públicas propostas
atualmente.

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