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Tuitando e workando e seguindo a canção…

Carreira

Não perca a cabeça ao ‘tuitar’ no trabalho

28 de janeiro de 2010

Por Luiz De França

Há pouco mais de uma semana, o meia-atacante Ryan Babel, do Liverpool, usou o Twitter para
expressar insatisfação com o fato de ter ficado de fora de uma partida,
por decisão do técnico do time. A direção do clube inglês aplicou uma
multa ao atleta, equivalente a 173.000 reais, porque entendeu que ele
tornou público um assunto que deveria ser resolvido internamente. O
episódio ilustra um desafio crescente da vida de milhões de
profissionais que utilizam o Twitter, em particular, e as redes
sociais, em geral: como aproveitar os benefícios desses ambientes
virtuais com prudência. Muita gente mistura vida pessoal com o trabalho
e divulga informações que deveriam continuar sob sigilo corporativo.
Acaba, assim, arriscando a carreira. Confira dicas do que se deve ou não postar, segundo especialistas.

Para
a professora de ética Maria Cecília Coutinho de Arruda, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), as opiniões divulgadas no Twitter, blogs e outras
redes não devem ultrapassar o "limite do bom senso". "Falar mal de
algum colega de trabalho ou superior hierárquico e expor defeitos ou
erros de terceiros são condutas antiéticas, que não devem ser seguidas
por ninguém", afirma.

Um dos erros mais comuns, de acordo com a
professora, é a divulgação de informações consideradas confidenciais.
"Muitas vezes, um simples comentário na internet sobre uma negociação
que está sendo encaminhada, a apuração de um processo que está sendo
feito, ou mesmo sobre o lançamento de algum produto, pode prejudicar a
empresa."

Outros
"descuidos" são facilmente passíveis de punição. É o caso de textos em
que há clara ofensa e até ameaça a chefes e colegas (veja reproduções reais retiradas do Twitter nesta página).
As mensagens desse tipo podem trazer implicações trabalhista, civil e
penal, explica o advogado Estevão Mallet, da Mallet Advogados
Associados. "Se o conteúdo de posts ocorre no âmbito da relação de
emprego e diz respeito a colega ou chefe de trabalho, é caso de
demissão por justa causa", diz o advogado. Mallet lembra ainda que, se
a mensagem contiver algum teor de calúnia, difamação ou injúria, o
ofendido pode entrar na Justiça com pedido de indenização.

Para
evitar conflitos, algumas empresas têm adotado códigos de ética que
restringem o uso de blogs e redes sociais durante o expediente. Outra
tática é orientar seus colaboradores. Em setembro do ano passado,
postagens de atores, atrizes, diretores e jornalistas da TV Globo
fizeram com que a emissora proibisse comentários acerca de temas e
informações relacionados às atividades da empresa em blogs, Twitter e
outras redes sociais. A alegação: a medida pretendia proteger
os conteúdos do canal  "da exploração indevida por terceiros, assim
como preservar seus princípios e valores".

"É difícil monitorar o
uso do Twitter e de outras redes sociais dentro da empresa porque
atualmente boa parte do que é postado é feito a partir dos celulares
pessoais”, diz Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de
Recursos Humanos (ABRH-Nacional). As empresas de grande porte são as
mais preocupadas em orientar seus profissionais sobre o modo pelo qual
se expressam.

"O
Twitter não é uma agenda pessoal. É uma manifestação do ponto de vista
das pessoas que compartilham com outras o seu expertise", defende
Leyla. "Mas acabou virando o estado da arte de ‘como estou’ e,
dependendo desse ‘como estou’, o funcionário pode colocar em
vulnerabilidade o ambiente organizacional", conclui.

O conteúdo
do que se posta nas redes sociais é tão importante que as empresas já
estão de olho nele. Mais do que isso: elas levam em consideração o que
candidatos a uma vaga colocam no ar antes de se decidir pelo
profissional A ou B. "O profissional deve lembrar que está sempre
assumindo a responsabilidade pelos seus atos quando posta algum
comentário na rede e essa mesma postura pode ser julgada pela empresa
que está contratando", diz Leyla. Leia mais sobre o assunto.

 

Profissionalismo no Twitter e nas redes

O que não se pode – e o que não se deve – fazer durante o trabalho

 
Situação
Como agir
Atualizar blogs e perfis em redes sociais durante o expediente
Depende da política interna de cada empresa. Procure se informar se a prática é permitida no seu local de trabalho
Postar informações confidenciais
Devem ser mantidas em sigilo e nunca tornadas públicas, sob pena de demissão por justa causa
Fazer reclamações corporativas
Falar mal ou denegrir a imagem da empresa também pode render demissão – e processo judicial
Desabafar sobre chefe e colegas
Nunca se deve falar mal ou ofender colegas ou superiores hierárquicos. Pena: demissão por justa causa
Fazer comentários em geral
Não há problema em postar comentários sobre acontecimentos públicos divulgados pelos meios de comunicação
"Lazer" no trabalho
Nunca diga que está ocioso no trabalho: isso pega muito mal

Fontes:
Estevão Mallet, da Mallet Advogados Associados, e Maria Cecília
Coutinho de Arruda, professora da Escola de Administração de Empresas
de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EASP-FGV)

Categorias:Organizações
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