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Exageros Advertidos

Por Carlos Brickmann em 31/8/2010

A liberdade de anunciar

Este
é um país curioso: durante anos, proibiu os refrigerantes dietéticos
alegando que os adoçantes neles utilizados poderiam causar problemas a
determinados grupos de pessoas. O aspartame, por exemplo, faz mal aos
fenilcetonúricos, e por isso ficava fora do mercado de bebidas. Já o
açúcar, que faz mal aos diabéticos, esse podia. Mais tarde, o governo
decidiu liberar refrigerantes adoçados artificialmente, com algumas
advertências, tipo "fenilcetonúricos: contém fenilanalina". Um senador
americano, depois de confrontado com provas cabais de que camundongos
obrigados a tomar o equivalente a 400 latas diárias de refrigerante
dietético acabavam desenvolvendo câncer de fígado, sugeriu uma
advertência na embalagem: "Cuidado: esse produto pode fazer mal para o
seu ratinho".

Agora o que se debate é a extensão das advertências a
uma série de outros produtos. Os que contenham excesso de sal, ou de
açúcar, ou de gorduras saturadas, ou qualquer quantidade de gorduras
trans, seriam obrigados a transmitir alertas sobre os problemas à saúde
que seu consumo poderia causar. É meio complicado: o sanduíche de
mortadela do bar da esquina não vai trazer informação nenhuma, embora a
mortadela brasileira seja muito salgada. O sanduíche comprado na cantina
da escola e preparado na hora também não terá essa informação.

E,
a rigor, não se deve banalizar as advertências, a menos que se queira
tirar sua importância. Imagine um lápis, que não deve ser mordido,
porque a ingestão de madeira pintada pode fazer mal à saúde; nem
manuseado livremente, porque tem ponta e pode machucar. Ou um
termômetro, que não deve ser engolido nem quebrado a golpes de sovaco.
Ou uma bola de futebol, que chutada com força pode machucar regiões
sensíveis do corpo. E assim por diante (veja abaixo o Guia para o Sexo
Seguro, preparado para um advogado de acordo com os preceitos das
múltiplas advertências e da segurança máxima).

O fato é que
obrigar um produtor a colocar determinadas advertências, ou fazê-las
constar num anúncio, é uma limitação à liberdade de expressão comercial.
Essa limitação pode existir, deve existir em determinados casos, mas
exige moderação no uso. O anúncio é a garantia da liberdade de imprensa.
Se não houver anúncios da iniciativa privada, só sobreviverão os
veículos mantidos pelo governo (que, com certeza, será mais generoso com
os que o apóiam). E isso é ruim para todos.

__________________________________________________________________________________________
Meu comentário: O fato é que todo exagero é prejudicial. Tem-se que ter em mente o homem médio. Se uma criança morreu porque engoliu um termômetro, colocar um aviso "Manter longe do alcance das crianças" é mais do que natural. Mas algo do tipo, como começamos a ver em muitos produtos, "Ingerir este produto pode causar morte" já é demais! É o puro emburrecimento legal instituído.

Categorias:Reflexões
  1. Blogadinha
    16/09/2010 às 13:52

    À burrice o exagero luso: usar a embalagem de tabaco para promoção anti-tabágica, tipo "FUMAR MATA" – assim, no pacote… E do vício à saúde, uma regulamentação que visa reduzir o sal no pão. Tão básico quanto o alimento, a divergência de opiniões – na prateleira o pão não fica.Finalizando: para lá da idade, certos cuidados a cada um dizem respeito. A saúde não é estatística infalível – cada caso é um caso. Vale pelo direito à informação.http://blogadinhadosvirtuais.blogs.sapo.pt

  2. Blogadinha
    16/09/2010 às 13:52

    À burrice o exagero luso: usar a embalagem de tabaco para promoção anti-tabágica, tipo "FUMAR MATA" – assim, no pacote… E do vício à saúde, uma regulamentação que visa reduzir o sal no pão. Tão básico quanto o alimento, a divergência de opiniões – na prateleira o pão não fica.Finalizando: para lá da idade, certos cuidados a cada um dizem respeito. A saúde não é estatística infalível – cada caso é um caso. Vale pelo direito à informação.http://blogadinhadosvirtuais.blogs.sapo.pt

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